segunda-feira, 12 de abril de 2010

Plantadora de sorrisos.

"Eu já dei risada até a a barriga doer,
já nadei até perder o fôlego,
já chorei até dormir
e acordei com o rosto desfigurado.

Ja fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar
de chorar,
já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o
rosto,
já conversei com o espelho,
e até já brinquei de ser bruxa.

Já quis ser astronauta,
flautista, mágica, dançarina e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés
pra fora,
já passei trote por telefone,
já tomei banho de chuva,
E acabei me viciando.

Já roubei beijo,
Já fiz confissões antes de dormir
num quarto escuro pra melhor amiga.
Já confundi sentimentos,
Peguei atalho errado
e continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de brigadeiro,
já me cortei depilando a perna,
já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas são as mais difíceis de se
esquecer.

Já subi escondida no telhado pra tentar pegar
estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta,
já caí da escada de bunda.
Conheci a morte de perto,
e agora anseio por viver cada dia.

Já fiz juras eternas,
já escrevi no muro da escola,
já chorei sentada no chão do banheiro,
já fugi de casa pra sempre,
e voltei no outro instante.

Já saí pra caminhar sem rumo,
de bandana na cabeça, ouvindo estrelas,
Já corri pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinha no meio de mil pessoas
sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol-cor-de-rosa e alaranjado,
já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
já bebi vinho até sentir dormente meus lábios,
já olhei a cidade de cima
e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro,
já vomitei de nervoso,
já quase morri de amor,
mas renasci novamente pra ver o sorriso de
alguém especial.

Já acordei no meio da noite
e fiquei com medo de levantar.
Já apostei corrida descalça na rua,
já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era pra sempre,
Mas sempre era um pra sempre pela metade.

Já deitei na grama de madrugada
e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo,
mas descobri que logo chegam novos,
e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas,
momentos fotografados pelas lentes de emoção,
guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga,
me encosta na parede e grita:
"-Qual sua experiência?"
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
"experiência... experiência..."
Será que ser "plantadora de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!!!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!"

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